21/7/2021 10:46

Flamengo e torcida se reencontram: os próximos passos e o impacto de 497 dias de separação

Neste período, clube calcula ter tido prejuízo de até R 150 milhões sem bilheteria e sócio-torcedor. Aproveitamento do time como mandante também caiu. Diretoria foca em voltar a jogar no Rio

Flamengo e torcida se reencontram: os próximos passos e o impacto de 497 dias de separação

Foram 497 dias de espera até o reencontro, que não será total e acontecerá longe de casa. Mas nesta quarta-feira o Flamengo jogará novamente com sua torcida por perto. A partida contra o Defensa y Justicia, pelas oitavas de final da Libertadores, marcará o primeiro jogo da equipe novamente com público desde o fechamento dos estádios devido à pandemia de coronavírus.



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Até o reencontro, o caminho não foi simples. O palco da partida atesta isso: ainda sem liberação para jogar no Maracanã, o Flamengo levou o jogo para o Mané Garrincha, em Brasília, onde o governo local divulgou um decreto liberando até 25% da capacidade do estádio – cerca de R$ 18 mil pessoas.

Este é o primeiro passo de um processo que a diretoria do Flamengo vem travando há alguns meses. Vice-presidentes como Marcos Braz (futebol), Luiz Eduardo Baptista, o Bap (relações externas) e Rodrigo Dunshee de Abranches (geral e jurídico) se pronunciaram publicamente diversas vezes defendendo o retorno do público.

A pandemia de coronavírus no Brasil ainda não está controlada e há temores sobre a nova variante delta. Por outro lado, a vacinação vem avançando no Rio de Janeiro, onde pessoas na faixa dos 30 anos já começaram a receber a primeira dose. Foi justamente a falta de um acordo com a Prefeitura carioca que motivou a ida a Brasília.

A busca pela liberação

No dia 9 de julho, a Prefeitura liberou 10% de público no Maracanã para a final da Copa América, entre Brasil e Argentina. A autorização das autoridades gerou desconforto no Flamengo, que já tivera solicitação negada na final do Carioca.

- Há um mês, o risco no Rio saiu de muito alto para alto. Pela legislação, podia ter jogo de futebol com 10% de público. Com base nisso, o Flamengo trabalhou junto à Prefeitura para que liberasse para o Flamengo também. Não dá para ter dois pesos e duas medidas – explicou Dunshee ao ge.

Depois que a Conmebol liberou a presença de público nas oitavas de final da Libertadores, o Flamengo enviou protocolo à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), basicamente o mesmo que o usado pela Conmebol na Copa América, com pequenas alterações. A SMS retornou pedindo alguns ajustes, mas o clube segue confiante de que em breve conseguirá a liberação para jogar no Maracanã.

- O índice, agora, caiu de alto para moderado. É o índice mais baixo da fase pandêmica na legislação atual do município. Agora, já pode ter pelo menos 20% do público. O Flamengo está trabalhando com isso, mas quando não houve uma sinalização positiva (para o Maracanã), a gente começou a trabalhar Brasília. Entendemos que os índices de queda são públicos e notórios. Todas as atividades já voltaram parcialmente – completou Dunshee.

Prejuízo de até R$ 150 milhões

Do ponto de vista financeiro, a necessidade do Flamengo em voltar a ter público nos jogos fica latente nos balanços divulgados. No balancete do primeiro trimestre de 2021, o mais recente publicado, o clube estimava um prejuízo entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões com bilheteria e sócio-torcedor desde o fechamento dos estádios.

Somente em 2020, o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes, estima que o clube deixou de ganhar R$ 110 milhões.

Bilheteria e sócio-torcedor são duas das principais fontes de receita do Flamengo. Sem elas, a readequação financeira do clube chegou ao futebol. O sócio-torcedor, por exemplo, tem hoje cerca de 53 mil membros - em 2019, o programa tinha pouco mais de 120 mil pessoas.

O orçamento traçado para 2021 previa originalmente uma receita de R$ 100 milhões com bilheteria, com retomada de público em abril. Com a segunda onda de Covid no início do ano, o documento precisou ser readequado, a expectativa de torcida foi para setembro.

- Estamos fazendo testes, dando uma colaboração para a sociedade. Estamos super sacrificados pela falta de público. A margem de lucro no futebol é muito apertada. Na medida em que você perde R$ 150 milhões por ano, você entra em déficit. Não podemos matar o futebol brasileiro. Eu acho que no Rio de Janeiro faltou esse olhar para o futebol, que também é uma atividade geradora de emprego – argumentou Dunshee.

O orçamento também deixou clara a necessidade de manter a saúde econômica através de vendas de jogadores. A saída de Gerson, vendido ao Olympique de Marselha por 25 milhões de euros em junho, foi o maior exemplo disso. Em outro cenário, seria possível manter o volante, um dos principais jogadores do elenco.

Além disso, o Flamengo precisou apertar o freio nas contratações. Protagonista no mercado em 2019 e 2020, o clube contratou apenas o zagueiro Bruno Viana até momento, por empréstimo. Precisando reforçar o grupo, a diretoria negocia empréstimos gratuitos do volante Thiago Mendes e do atacante Kenedy, mas Marcos Braz já deixou claro que não há dinheiro para gastar.

- O Flamengo não vai comprar nenhum jogador, pretendemos empréstimos e, se possível, sem custos financeiros. Isso nos coloca de maneira mais frágil na negociação. Tem de ter paciência. A parte financeira está alinhada, mas longe de estar com o conforto de tempos atrás – afirmou Braz, em entrevista coletiva.

Em campo, aproveitamento cai para 69,5%

O impacto da ausência da torcida também foi sentido em campo. Principalmente nos primeiros jogos de Maracanã vazio, os jogadores deixaram claro que o silêncio nas arquibancadas afetou o desempenho. O fator casa do Flamengo se diluiu.

Desde o fechamento dos estádios, o Flamengo fez 47 partidas como mandante, com aproveitamento de 69,5%: 30 vitórias, oito empates e nove derrotas. O levantamento é do Espião Estatístico.

Para ter uma base de comparação, o Espião Estatístico analisou os 47 jogos anteriores, ainda com público. Aqui, vale um adendo: este período corresponde a boa parte da passagem de Jorge Jesus no comando da equipe. Neste recorte, o aproveitamento como mandante foi bem maior: 84,3%, com 38 vitórias, cinco empates e quatro derrotas.

O último jogo do Flamengo com torcida, aliás, foi também na Libertadores. Com 63.426 presentes no Maracanã, a equipe venceu o Barcelona de Guayaquil por 3 a 0, gols de Gustavo Henrique, Bruno Henrique e Gabigol. Do time que entrou em campo naquela partida, dois jogadores deixaram o clube: o lateral-direito Rafinha e o volante Gerson, além do técnico Jorge Jesus.

Se Jorge Jesus era unanimidade na torcida e fazia questão de, ao fim de toda partida, saudar as arquibancadas junto com os jogadores, seus sucessores viveram uma realidade bem diferente.

Neste período sem público, dois técnicos passaram pelo Flamengo sem a possibilidade de interação mais próxima com a torcida: Domènec Torrent e Rogério Ceni. Se antes o termômetro de popularidades deles era a arquibancada, as redes sociais assumiram esse papel.

Público não deve bater capacidade liberada

Recém-chegado ao Flamengo, Renato Gaúcho terá contato com a torcida logo em sua terceira partida. Mas a expectativa é de que o público no Mané Garrincha não alcance a capacidade máxima de 18 mil pessoas.

As dificuldades logísticas são levadas em consideração no cenário: além de o jogo ser em Brasília, só serão permitidos no estádio torcedores completamente vacinados (com duas doses ou dose única) ou que tenham um exame negativo de PCR de até 48 horas antes do jogo. Menores de idade estão vetados de acesso ao Mané Garrincha.

Os preços para o jogo também são um fator que explicam a baixa procura de ingressos: o ingresso mais barato custa R$ 140, e o mais caro, R$ 500.

Ainda assim, o jogo contra o Defensa y Justicia é visto como um primeiro passo. A partida acontece três meses antes da previsão na readequação do orçamento.

A diretoria entende que, nesta retomada, será natural ter algum tipo de prejuízo na operação dos jogos. A conta é de que o Flamengo só conseguirá um retorno financeiro com públicos a partir de 25% da capacidade do Maracanã, e com preços mais altos do que o normal.

- Todo o processo de retomada é gradual. Se você quebrar a perna, não vai correr uma maratona em seguida. Queremos passar uma mensagem de esperança para a população, para a torcida. Logicamente que a ciência e o bem da coletividade estão acima dos interesses - disse Dunshee.

Brasília, por mais que provavelmente gere um prejuízo na operação, não está descartada para futuros jogos. A diretoria também busca alternativas em praças mais baratas. O objetivo maior do Flamengo, porém, é dar um segundo passo em breve - reencontrar sua torcida na própria casa, no Maracanã.



- Estamos jogando em Brasília, mas queremos jogar os próximos no Rio. (Brasília) é uma praça importante para a gente. É perto, é central, tem muita torcida do Flamengo. Foi conveniente. O Flamengo quase foi à Justiça (para jogar no Rio). A prefeitura não estava sinalizando positivamente, mas em vez de ficar brigando, optamos por ir a Brasília - finalizou Dunshee.






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