A pressão sobre Marcos Motta aumentou nos bastidores do Flamengo. Sete grupos políticos do clube protocolaram uma representação formal pedindo o afastamento preventivo do vice-presidente de Administração por até 60 dias, sob a alegação de possível conflito de interesses entre sua função no Rubro-Negro e sua atuação profissional no mercado do futebol.
O documento, protocolado no último dia 20 de agosto na secretaria do clube, é intitulado “representação com pedido de afastamento e impedimento estatutário” e foi encaminhado ao presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap), ao presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Lomba, e ao presidente da Assembleia Geral, Gustavo Fernandes.
A representação é assinada pelos grupos Flafut, NossoFLA, PróFla, Sempre Flamengo, Sinergia, Vanguarda e Vencer. Os signatários questionam principalmente a compatibilidade entre a posição estratégica ocupada por Marcos Motta no Flamengo e sua atuação como sócio-fundador do escritório Bichara e Motta Advogados.
O pedido não se limita a uma cobrança pública.
Os grupos solicitam formalmente o afastamento preliminar de Marcos Motta por até 60 dias de todas as suas funções no clube, com fundamento no artigo 59 do Estatuto Social, enquanto o caso é analisado.
Além disso, pedem que o dirigente seja intimado a esclarecer seus vínculos profissionais e comerciais com outros clubes e apresente os respectivos contratos.
Ao final do procedimento, a representação também pede a análise do chamado impedimento estatutário do dirigente.
Marcos Motta é vice-presidente de Administração do Flamengo, mas também é sócio-fundador do escritório Bichara e Motta Advogados, conhecido por sua atuação no mercado esportivo.
O próprio perfil profissional do advogado informa que ele atua no mercado do esporte desde 1997 e já participou de centenas de casos, arbitragens e operações envolvendo futebol.
Para os grupos que apresentaram a representação, é justamente essa atuação simultânea que pode provocar conflito de interesses.
Um dos exemplos apresentados pelos sócios envolve o Santos.
O escritório Bichara e Motta Advogados participou da assessoria relacionada à implementação da SAF do clube paulista.
Na avaliação dos autores da representação, prestar serviços a outros clubes enquanto Marcos Motta ocupa uma posição de destaque na administração do Flamengo precisa ser analisado à luz das regras de governança e exclusividade do próprio Rubro-Negro.
Outro episódio citado é a transferência do volante Zé Lucas, do Sport para o Cruzeiro.
O jogador havia despertado interesse do Flamengo, mas acabou negociado com o clube mineiro em uma operação na qual o escritório ligado a Marcos Motta também teve participação profissional.
Os grupos utilizam esse episódio para sustentar a necessidade de esclarecer até onde vai a atuação externa do escritório e se ela é compatível com o cargo ocupado pelo advogado dentro do Flamengo.
Esse é um dos pontos mais delicados levantados pela representação.
Por ocupar a vice-presidência de Administração, Marcos Motta pode ter acesso a informações internas e estratégicas do Flamengo.
Os signatários citam dados relacionados a orçamento, limites financeiros, contratos e planejamento de mercado.
A preocupação manifestada no documento é que a atuação simultânea no clube e no mercado possa criar situações em que interesses diferentes se encontrem.
Até o momento, porém, não há comprovação pública de que Marcos Motta tenha utilizado informações confidenciais do Flamengo para beneficiar terceiros. O que existe é uma alegação de potencial conflito de interesses apresentada pelos grupos políticos e que agora deverá ser analisada internamente.
A representação ganha ainda mais peso porque os próprios sócios utilizam uma decisão recente do Flamengo como precedente.
Rodolfo Landim teve seus direitos políticos atingidos após a reforma estatutária promovida durante a gestão de Bap, em razão de sua atuação relacionada à SAF do Confiança.
Os grupos argumentam que o Flamengo não poderia aplicar uma regra de exclusividade em um caso e adotar entendimento diferente em outro.
A representação recorda ainda uma manifestação de Bap durante a discussão da reforma estatutária, quando o presidente defendeu a necessidade de exclusividade ao Flamengo.
É justamente nessa comparação que os autores fazem uma de suas cobranças mais fortes.
Para os sete grupos, se a atuação externa de Landim foi considerada suficiente para provocar seu impedimento, a situação de Marcos Motta também precisa passar pelo mesmo rigor de análise.
Os signatários sustentam que as normas internas não podem ser aplicadas de maneira diferente dependendo do dirigente envolvido.
Segundo o ge, tanto Marcos Motta quanto a diretoria do Flamengo foram procurados para comentar a representação, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
Portanto, neste momento existem as acusações e argumentos apresentados pelos sete grupos, mas ainda é necessário aguardar a manifestação do dirigente e a análise dos órgãos competentes do clube.
O primeiro efeito pretendido pelos autores é imediato: retirar temporariamente Marcos Motta de suas funções enquanto os fatos são analisados.
O pedido é de afastamento preliminar por até 60 dias.
Depois disso, caberá às instâncias do Flamengo avaliar os documentos, a defesa do dirigente e se existe ou não situação capaz de provocar impedimento estatutário.
Por enquanto, Marcos Motta continua exercendo normalmente suas funções.
E você, Nação: diante das atividades profissionais de Marcos Motta fora do Flamengo, considera que ele deveria ser afastado enquanto o caso é investigado?
73 visitas - Fonte: TorcidaFlamengo
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