28/3/2016 19:20
Torcedores invadem o CT do Flamengo: Fizeram reivindicações, diz Wallace
'Ninguém gosta de ser intimidado, mas paciência, assim é o nosso futebol, vida que segue', acrescenta o capitão do time
Integrantes de uma torcida organizada invadiram o Ninho do Urubu, na manhã desta segunda-feira. Um grupo de oito pessoas, que mantinha contato com o diretor de futebol, Rodrigo Caetano, por telefone, entrou no CT, às 10h20, mesmo sem ser autorizado.
"A gente conversou. Eles invadiram, posição deles. O clube vai tomar providência, mas nada de relevante a ser ressaltado", disse Wallace, que falou em intimidação: "Não é normal, mas, no Brasil, tem sido corriqueiro. Ninguém gosta de ser intimidado, mas paciência, assim é o nosso futebol, vida que segue."
Dentro do CT, o clima era de tensão. Caetano ouviu cobranças em tom áspero, enquanto os jogadores, que treinariam no campo 1, ficaram trabalhando no campo 2 (os que enfrentaram o Volta Redonda estavam na academia).
O grupo de torcedores queria conversar com todo o elenco. Depois de muita negociação, cinco atletas se aproximaram para ouvir as reivindicações dos invasores. Wallace era um deles. Segundo o zagueiro, porém, o restante dos jogadores ficou atrás do quinteto, em demonstração de apoio.
O capitão garante que não houve violência, além da entrada indevida. Ele preferiu não opinar sobre o procedimento adotado, mas colocou na conta da diretoria os riscos assumidos, já que não foi solicitada a presença da polícia para a retirada dos torcedores do CT.
"Quem tem de achar se houve erro, ou não, é a diretoria. Só vim aqui trabalhar, não tenho de achar nada. Se o Rodrigo Caetano e a diretoria acharam viável deixar os caras aqui, fazer o quê? É postura deles."
Os oito torcedores deixaram o CT às 12h05. Em poucas palavras, disseram aos jornalistas, barrados do lado de fora por aproximadamente três horas, que foram prestar apoio ao time. Antes da invasão, porém, falaram em falta de comprometimento e afirmaram que essa seria a última conversa. Wallace se recusou a pedir para que os torcedores não passem para as agressões físicas numa próxima invasão.
"Não vou fazer apelo. É caso de polícia (se houver agressão). Ninguém pode agredir. Isso é entretenimento, mas no Brasil vira ideologia", disse o capitão, que não se sentiu ameaçado.
"Como não vieram com ferramentas ou algo do tipo para agredir, a gente entendeu que havia liberação. Se identificasse algo assim, eu me sentiria ameaçado. Estávamos trabalhando, então acabamos sabendo depois (que era uma invasão)."
1683 visitas - Fonte: O dia
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