Análise: Rafael Vaz no Fla é certeza de técnica e emoções. Para os dois lados

8/6/2016 07:42

Análise: Rafael Vaz no Fla é certeza de técnica e emoções. Para os dois lados

Contratado para vaga de Dedé em 2013, zagueiro pode desequilibrar jogo com passe de meia ou presença de área, mas tem ousadia e técnica que podem virar defeitos

Análise: Rafael Vaz no Fla é certeza de técnica e emoções. Para os dois lados
Poucos se lembram, mas Rafael Vaz foi contratado em 2013 pelo Vasco para suprir a saída de Dedé - ou ao menos a aposta era nesse sentido. À época, o zagueiro, hoje parado há quase um ano por sequência de lesões no Cruzeiro, era mais do que referência na zaga vascaína, mas também ídolo da torcida. O time de Minas pagou R$ 14 milhões ao Vasco, que foi atrás da indicação de Paulo Autuori e trouxe Vaz do Ceará, quando ele tinha 23 anos. O clube de São Januário, em parceria com o empresário do jogador Reinaldo Pitta, desembolsou cerca de R$ 350 mil.

- O Rafael Vaz tem qualidade técnica e ousadia - dizia à época Autuori.

Autuori não contava com a estrela daquele jogador, capaz de dar um bicampeonato carioca ao Vasco, mas, três anos depois, é possível afirmar que as maiores virtudes de Vaz, que deve ser anunciado nesta quarta pelo Flamengo, foram perfeitamente diagnosticadas pelo atual treinador do Atlético-PR. Não é à toa que o zagueiro canhoto foi improvisado como volante - posição de origem - e também como centroavante, no empate vascaíno contra o CRB este ano, nos tempos de Colina. Na batida da bola, você vê a técnica apurada de Vaz.

Fiz algumas entrevistas com Rafael Vaz e acompanhei sua trajetória no Vasco. A chegada cercada de expectativa, o primeiro tirambaço de fora da área, na derrota para o Internacional em Porto Alegre, a reserva no clube de São Januário, o afastamento e os tempos treinando separado do restante do elenco até a reintegração e a fase mais decisiva de Vaz, que, ironicamente, coincidiu com a fase final de seu vínculo.

O primeiro clássico impressionou - e os primeiros minutos do vídeo acima, com melhores momentos de Vaz naquela partida, mostram o por quê. Contra o Fluminense, na reabertura do Maracanã, Vaz exibiu o que tem de melhor quando joga na zaga. Combateu firme, salvou gol em cima da linha, bateu falta com perigo,
ganhou divididas e saiu de cabeça em pé, achando espaços com passes e lançamentos perfeitos. Formado na base do Palmeiras, o paulista lembrava dos primeiros conselhos que ouviu para escolher posição em campo.

- O professor Jorginho (ex-jogador, que era técnico do time B do Palmeiras) sempre falava para mim: você pode ser um volante igual a muitos outros ou pode ser um zagueiro com um baita diferencial - dizia dias depois daquela partida contra o Fluminense (3 x 1 Vasco).

Falhas táticas e autoconfiança
Então o torcedor rubro-negro - dividido na enquete do GloboEsporte.com. Para votar, clique aqui - que chegou até aqui deve se questionar: diante desta qualidade técnica, por que Rafael Vaz não era titular no Vasco? Primeiro, porque desde 2014, com raras e curtas fases, os titulares do setor defensivo são o experiente Rodrigo e a revelação Luan. Depois, pois o limite entre a técnica e a ousadia que Autuori via naquela qualidade com a bola até a saída temerária costuma ser tênue com jogadores que têm como primeira função proteger a meta. O zagueiro tenta lançar bastante e às vezes exagera nos passes rasteiros verticais, além de certa autoconfiança num drible próximo da própria área. Quando dá certo, maravilhoso. Quando erra…

- Sempre tive essa vontade de querer armar o time. Sei que jogar assim pode ter as suas consequências. Tento fazer sempre alguma coisa diferente. Vai ser bom para mim se acertar o passe e vai ser bom para o time também - dizia o zagueiro.

A vontade de "querer armar o time" não conquistou muitos treinadores nos tempos de Vasco. Inclusive, dias depois da reportagem que fiz com ele, em que o classificava como "zagueiro-volante", soube de comentários em tom depreciativo de integrantes do futebol do clube. Daquele tipo "vai zagueiro habilidoso", "olha o Beckenbauer" e por aí vai. Fato é que Vaz ficou muito tempo no Vasco sem sequer ser reserva imediato na zaga. Era a terceira ou quarta opção e, em alguns momentos, ficou até fora do banco.

Aí vou entrar numa avaliação que ouvi - longe dos microfones - de um ex-treinador que o comandou em São Januário. A definição explica, de forma mais simples, por quê um jogador, técnico e polivalente, esteve longe da preferência dos treinadores que passaram pelo Vasco.

- Quando ele (Rafael) está com a bola é lindo. Bate bem nela, trata com carinho. Fica evidente a qualidade. Mas, taticamente, o posicionamento dele não é dos melhores. É falho. E zagueiro, em 90 minutos, não passa cinco minutos de um jogo com a bola no pé…

No Flamengo, Rafael Vaz vai ter oportunidade de desfazer algumas dessas impressões e também terá a chance de ganhar a sonhada sequência como titular - o que pensou que teria quando chegou em São Januário há três anos. Toda a ousadia que Autuori enxergou no Ceará fica a serviço do time da Gávea. Vai depender de Vaz evoluir e se transformar num zagueiro mais seguro e de confiança para os torcedores - dois adjetivos que combinam mais com a função.

1829 visitas - Fonte: Globoesporte.com


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