30/6/2013 09:17
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Levanta, senta, grita e vibra: os primeiros 90 minutos de Mano no Fla
Com incontáveis idas do banco à linha lateral, técnico vai da inquietação no primeiro tempo para calmaria na etapa final em estreia vitoriosa
Levanta, senta, vai, volta, grita, aplaude, vibra e se cala. Mano Menezes foi intenso nos primeiros 90 minutos comandando o Flamengo em um jogo. Na vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, sábado, no Parque do Sabiá, em Uberlândia, incontáveis foram as vezes em que o treinador realizou o percurso do banco de reservas até a linha lateral do campo. Um vai e vem constante, marcado por simpatia com uma gandula, João Paulo como alvo mais constante, o auxiliar Sidnei Lobo dividindo o espaço de “confidente” com o lateral Ramon e a tecnologia presente com o uso de um tablet para análises táticas.
No debute pelo Flamengo, Mano oscilou de uma inquietação nos 45 minutos iniciais para uma postura bem mais calma na etapa final. O primeiro gol foi celebrado com movimentos de braços com a mão fechada, seguidos de um cumprimento a Moreno, o autor. Celebração bem mais efusiva do que a pela primeira vitória. Ao apito final, a feição era de seriedade. Com o dever inicial cumprido, era hora de pensar no futuro, em uma nova “primeira vez”. Agora, em uma partida oficial, contra o Coritiba, sábado, em Brasília, pela sexta rodada do Brasileirão. Ao lado do treinador, no gramado do estádio em Uberlândia, o GLOBOESPORTE.COM flagrou todas as reações na primeira vez do gaúcho pelo Rubro-Negro.
Primeiro 45 minutos inquietos
O primeiro ato de Mano Menezes no comando do Flamengo em um jogo foi distribuir sorrisos e simpatia aos jornalistas. Enquanto os jogadores aqueciam em campo ainda à espera do São Paulo, o treinador deu entrevistas, acenou para o torcedor e fez questão de frisar a importância do primeiro teste:
- Em um início de trabalho temos que valorizar tudo. Cada treino, cada jogo.
Com as duas equipes em campo, Mano foi ao banco de reservas adversário rival cumprimentar a comissão técnica do São Paulo antes de retornar ao seu local para a execução do Hino Nacional. O jogo começou e o treinador estava sentado, ao lado do auxiliar técnico Sidnei Lobo. O panorama, no entanto, não durou muito, e ele levantou abrindo os braços como quem não entendesse péssima cobrança de falta de João Paulo, aos dois minutos. Já aos quatro, foi a vez de deixar o banco e seguir para a área técnica. Ao ver uma gandula no local, foi bem humorado ao pedir liberdade:
- O espaço aqui é meu – disse sorrindo.
A postos na beira do campo, o primeiro jogador a receber orientação foi Marcelo Moreno, com pedidos de movimentação entre os zagueiros do São Paulo. Já João Paulo foi quem mais recebeu comandos do treinador. Próximo a Mano na lateral esquerda, foram muitos os gritos de “volta”, “marca”, “boa” e, principalmente, “Joãããããão” para chamar a atenção. O camisa 16 ao menos escapou da primeira bronca, que caiu na conta de Paulinho, ao dar um passe errado para Moreno quando o técnico queria que a jogada fosse aberta pela direita.
Mano demonstrou preocupação também com a saída de bola da defesa para o ataque e pedia jogadas de ultrapassagens quando o time chegasse na intermediária adversária. Em determinado momento, gritou para destinatário não identificado:
- Segura a bola e deixa ele passar para depois tocar
O treinador também cantava jogada, como em bom cruzamento de João Paulo para Paulinho:
- Vai, João! Vai, João - pedindo que o lateral arrancasse para a linha de fundo.
No mesmo lance, apontou e aplaudiu Carlos Eduardo por encontrar bem o lateral livre na esquerda. Apesar de melhor em campo, o Flamengo criava pouco, e deu início a uma rotina de senta e levanta e caminha de um lado para o outro quase que incessante do treinador. Como se marcasse no relógio a cada três minutos, a partir dos 19 Mano foi ao banco de reservas e retornou para área técnica sete vezes, até que ficou em definitivo aos 39.

Sentado, o treinador dialogou bastante com Sidnei Lobo e um personagem surpreendente: Ramon. Por algumas vezes, o lateral comentou jogadas com o novo chefe. Aos 26, o gaúcho perdeu as estribeiras pela primeira vez. Depois de péssima cobrança de escanteio de Carlos Eduardo, virou para Sidnei e disse irritado:
- Foi só um e ele não fez a curta! – reclamando do camisa 20 não ter tocado ao companheiro mais próximo em vez de cruzar.
Erros de passes também tiravam a calma, e aos 30 Mano soltou para o ar um sonoro:
- Eliaaaaaaas!
Para Cáceres, o pedido foi de calma na condução de bola:
- Carrega, carrega.
Foi o último ato antes do intervalo. Dos 39 ao apito final, o treinador permaneceu sentado e dialogando com seu auxiliar até seguir em silêncio para o vestiário.
Segundo tempo: tablet, silêncio e ‘muito bom’ para Paulinho
O segundo tempo apresentou um Mano menos agitado. Logo no primeiro minuto, acomodado no banco, mandou os reservas para o aquecimento e reagiu ao ver Carlos Eduardo agachado no gramado reclamando de dor após pancada na canela.
- Vamos! Vamos, Carlos! Vamos!
Aos dois minutos, levantou-se para ir na área técnica, mas rapidamente voltou. Já aos quatro, puxou um tablet e começou a conversar com Sidnei Lobo, como se discutissem questões táticas. Em cobrança de escanteio, três minutos depois, correu para a beira do gramado para reclamar de um posicionamento errado no bico da área, que poderia expor a equipe a contra-ataques, mas foi surpreendido pela marcação de pênalti em Cáceres. Retornou para o banco, sentou e sequer esboçou reação ao ver Denis defender a cobrança de Léo Moura.
O primeiro momento de vibração estava guardado para os 12. Ainda do banco, onde permaneceu por quase todo o segundo tempo, comemorou balançando os braços com a mão fechada o gol de Marcelo Moreno, o primeiro do Flamengo sob seu comando. Foi até a linha lateral e recebeu um cumprimento do boliviano.
As primeiras substituições aconteceram aos 23, três minutos depois de mandar Sidnei chamar Nixon, Diego Silva e Val, que entraram nas vagas de Gabriel, Cáceres e Carlos Eduardo. De pé, cumprimentou um por um dos que saíram, sempre com a mesma palavra: “Bom!”. Um elogio um pouco maior estava guardado para os 33, quando Paulinho deu lugar a Rafinha. Ao receber o atacante, Mano apertou sua mão e disse:
- Muito bom, Paulinho!
De volta ao banco, conversou rapidamente com os jogadores substituídos e observou quase que em silêncio o fim da partida. Ao ver João Paulo caído no campo já aos 47, levantou-se pela última vez. Até que Alício Penna Júnior colocou um ponto final no duelo. Na mistura de emoções que gerou um senta e levanta, grita e se cala tão grande, Mano saiu vencedor no “muito prazer” ao torcedor do Flamengo.

No debute pelo Flamengo, Mano oscilou de uma inquietação nos 45 minutos iniciais para uma postura bem mais calma na etapa final. O primeiro gol foi celebrado com movimentos de braços com a mão fechada, seguidos de um cumprimento a Moreno, o autor. Celebração bem mais efusiva do que a pela primeira vitória. Ao apito final, a feição era de seriedade. Com o dever inicial cumprido, era hora de pensar no futuro, em uma nova “primeira vez”. Agora, em uma partida oficial, contra o Coritiba, sábado, em Brasília, pela sexta rodada do Brasileirão. Ao lado do treinador, no gramado do estádio em Uberlândia, o GLOBOESPORTE.COM flagrou todas as reações na primeira vez do gaúcho pelo Rubro-Negro.
Primeiro 45 minutos inquietos
O primeiro ato de Mano Menezes no comando do Flamengo em um jogo foi distribuir sorrisos e simpatia aos jornalistas. Enquanto os jogadores aqueciam em campo ainda à espera do São Paulo, o treinador deu entrevistas, acenou para o torcedor e fez questão de frisar a importância do primeiro teste:
- Em um início de trabalho temos que valorizar tudo. Cada treino, cada jogo.
Com as duas equipes em campo, Mano foi ao banco de reservas adversário rival cumprimentar a comissão técnica do São Paulo antes de retornar ao seu local para a execução do Hino Nacional. O jogo começou e o treinador estava sentado, ao lado do auxiliar técnico Sidnei Lobo. O panorama, no entanto, não durou muito, e ele levantou abrindo os braços como quem não entendesse péssima cobrança de falta de João Paulo, aos dois minutos. Já aos quatro, foi a vez de deixar o banco e seguir para a área técnica. Ao ver uma gandula no local, foi bem humorado ao pedir liberdade:
- O espaço aqui é meu – disse sorrindo.
A postos na beira do campo, o primeiro jogador a receber orientação foi Marcelo Moreno, com pedidos de movimentação entre os zagueiros do São Paulo. Já João Paulo foi quem mais recebeu comandos do treinador. Próximo a Mano na lateral esquerda, foram muitos os gritos de “volta”, “marca”, “boa” e, principalmente, “Joãããããão” para chamar a atenção. O camisa 16 ao menos escapou da primeira bronca, que caiu na conta de Paulinho, ao dar um passe errado para Moreno quando o técnico queria que a jogada fosse aberta pela direita.
Mano demonstrou preocupação também com a saída de bola da defesa para o ataque e pedia jogadas de ultrapassagens quando o time chegasse na intermediária adversária. Em determinado momento, gritou para destinatário não identificado:
- Segura a bola e deixa ele passar para depois tocar
O treinador também cantava jogada, como em bom cruzamento de João Paulo para Paulinho:
- Vai, João! Vai, João - pedindo que o lateral arrancasse para a linha de fundo.
No mesmo lance, apontou e aplaudiu Carlos Eduardo por encontrar bem o lateral livre na esquerda. Apesar de melhor em campo, o Flamengo criava pouco, e deu início a uma rotina de senta e levanta e caminha de um lado para o outro quase que incessante do treinador. Como se marcasse no relógio a cada três minutos, a partir dos 19 Mano foi ao banco de reservas e retornou para área técnica sete vezes, até que ficou em definitivo aos 39.

Sentado, o treinador dialogou bastante com Sidnei Lobo e um personagem surpreendente: Ramon. Por algumas vezes, o lateral comentou jogadas com o novo chefe. Aos 26, o gaúcho perdeu as estribeiras pela primeira vez. Depois de péssima cobrança de escanteio de Carlos Eduardo, virou para Sidnei e disse irritado:
- Foi só um e ele não fez a curta! – reclamando do camisa 20 não ter tocado ao companheiro mais próximo em vez de cruzar.
Erros de passes também tiravam a calma, e aos 30 Mano soltou para o ar um sonoro:
- Eliaaaaaaas!
Para Cáceres, o pedido foi de calma na condução de bola:
- Carrega, carrega.
Foi o último ato antes do intervalo. Dos 39 ao apito final, o treinador permaneceu sentado e dialogando com seu auxiliar até seguir em silêncio para o vestiário.
Segundo tempo: tablet, silêncio e ‘muito bom’ para Paulinho
O segundo tempo apresentou um Mano menos agitado. Logo no primeiro minuto, acomodado no banco, mandou os reservas para o aquecimento e reagiu ao ver Carlos Eduardo agachado no gramado reclamando de dor após pancada na canela.
- Vamos! Vamos, Carlos! Vamos!
Aos dois minutos, levantou-se para ir na área técnica, mas rapidamente voltou. Já aos quatro, puxou um tablet e começou a conversar com Sidnei Lobo, como se discutissem questões táticas. Em cobrança de escanteio, três minutos depois, correu para a beira do gramado para reclamar de um posicionamento errado no bico da área, que poderia expor a equipe a contra-ataques, mas foi surpreendido pela marcação de pênalti em Cáceres. Retornou para o banco, sentou e sequer esboçou reação ao ver Denis defender a cobrança de Léo Moura.
O primeiro momento de vibração estava guardado para os 12. Ainda do banco, onde permaneceu por quase todo o segundo tempo, comemorou balançando os braços com a mão fechada o gol de Marcelo Moreno, o primeiro do Flamengo sob seu comando. Foi até a linha lateral e recebeu um cumprimento do boliviano.
As primeiras substituições aconteceram aos 23, três minutos depois de mandar Sidnei chamar Nixon, Diego Silva e Val, que entraram nas vagas de Gabriel, Cáceres e Carlos Eduardo. De pé, cumprimentou um por um dos que saíram, sempre com a mesma palavra: “Bom!”. Um elogio um pouco maior estava guardado para os 33, quando Paulinho deu lugar a Rafinha. Ao receber o atacante, Mano apertou sua mão e disse:
- Muito bom, Paulinho!
De volta ao banco, conversou rapidamente com os jogadores substituídos e observou quase que em silêncio o fim da partida. Ao ver João Paulo caído no campo já aos 47, levantou-se pela última vez. Até que Alício Penna Júnior colocou um ponto final no duelo. Na mistura de emoções que gerou um senta e levanta, grita e se cala tão grande, Mano saiu vencedor no “muito prazer” ao torcedor do Flamengo.

Postado por
Thiago dos Reis
-
1514 visitas - Fonte: Globo Esporte
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