15/4/2021 14:12

Filipe Luís: made in Jaraguá, do Futsal ao campo

Lateral do Flamengo leva tradição do futsal catarinense para os gramados e deixa Falcão e Manoel Tobias orgulhosos com drible típico da modalidade em jogo da Supercopa

Filipe Luís: made in Jaraguá, do Futsal ao campo

O corte seco, em velocidade, no curto espaço de campo, passando a bola de uma perna para outra, que deixou Gustavo Gómez no chão, tem assinatura. Mais do que isso, tem raiz. Tem o DNA de Filipe Luís, um jogador de futsal dentro do campo. Made in Jaraguá do Sul.



O lance que resultou no gol de Gabigol na Supercopa, domingo, diante do Palmeiras, é apenas um dos muitos recortes que remetem o lateral-esquerdo do Flamengo às origens catarinenses. Da inspiração no pai Moisés aos conselhos do treinador Maneca, Filipe Luís moldou na quadra de salão o futebol vistoso, simples e objetivo que desfilou por Holanda, Inglaterra, Espanha e Brasil.

E basta uma olhadinha na certidão de nascimento para entender que não poderia ser diferente. Se Santa Catarina há décadas é um dos grandes polos do futsal no país, Jaraguá do Sul foi por anos a capital da modalidade.

Sob a batuta de craques como Manoel Tobias e Falcão, dois dos maiores de todos os tempos, o time da cidade contabiliza 16 títulos estaduais, 16 títulos nacionais, seis sul-americanos e dois mundiais. Motivo de sobra para o futebol de campo ser a segunda força por essas bandas.

"A cultura do salão em Jaraguá é muito forte, é conhecida no Brasil por isso. Meu filho Tiago já está no futsal e é a melhor forma para desenvolver a técnica. A bola menorzinha, quadra não tem buraco, é lisa. É perfeito para jogar" revela Filipe Luís, que repete com herdeiro o mesmo que seu pai, Moisés, fazia duas décadas atrás

Até os 14 anos, o campo era apenas lazer e nem tão divertido assim para o jovem canhoto, que preferia ter a bola nos pés o tempo todo nas quadras. O talento perceptível desde muito pequeno fez com que Seu Moisés acreditasse que Filipinho conseguiria disputar campeonatos regionais, seguir seus passos no salão de Santa Catarina. Deu mais do que certo:


- Jaraguá é uma cidade que respira futsal desde sempre. Eu joguei campeonatos e é sempre casa cheia, tem mais público que o futebol de campo. Vi que meu filho levava um jeitinho para bola e imaginava que ia jogar na seleção da cidade, aquela coisa de pai.

"Quando ele tinha nove anos, eu o inscrevi em um time, consegui até patrocínio, mobilizou a cidade toda... Resolveram investir na base, contrataram o Maneca (técnico) e ele selecionou o Filipe. Ele tinha umas qualidades, mas nem era assim diferenciado. Tinha um bom drible, uma condução de bola muito pegada à linha e o melhor era o passe para gol"

BASE DE TUDO

O sucesso foi imediato. Do time formado praticamente na base do "paitrocínio", Filipe chegou à seleção catarinense e já demonstrava a obstinação e o profissionalismo tão conhecidos nos dias atuais. Foram cerca de seis anos nas quadras do estado lapidando a técnica de um garoto que nunca chamou atenção pelos dotes físicos.


- Ele não era um jogador de arranque, mas tinha uma resistência maravilhosa. Os treinadores foram aperfeiçoando o talento. Ele treinava todos os dias com uma metodologia moderna e isso fez com que tivesse uma melhora no drible e nas decisões rápidas. Ele mesmo me fala: "Pai, tem horas que estou com a bola, me vem lapso de memória do que aprendi no futsal e utilizo. O futsal me fazia raciocinar rápido".



O relato do pai Moisés não foi combinado, mas fez coro com o de Filipe Luís. Se o drible curto em Gustavo Gómez foi o que chamou a atenção, um olhar mais atento é capaz de apontar traços do futsal em praticamente todas as ações em campo. E quem explica é o próprio lateral.


- Tudo que aprendi de domínio de bola, controle, domínio orientado, esses dribles curtos de um pé para o outro, passe com lado externo do pé, jogar para frente, passe diagonal cortado... Tudo isso eu aprendi com o Maneca no futebol de salão. Depois, foi muito difícil adaptar no campo. Com o tempo, eu consegui. Nem gostava de jogar, porque tocava pouco na bola, mas meu pai me obrigou, não teve jeito e tive que ir para o campo.

CONSELHOS DE MANECA
Citado por Filipe e por Moisés, Maneca foi bem mais do que um simples treinador. Definido pelo pai do lateral como "maior formador de talentos de futsal do Brasil", ele se tornou amigo da família. Tanto que recebeu do lateral uma missão especial.


É seu Maneca quem comanda as atividades no Centro Esportivo Filipe Luís, construído para descobrir novos talentos em Jaraguá e região. O espaço conta com mais de 7 mil m², três campos de grama sintética, estrutura inspirada na Granja Comary e custou cerca de 1 milhão de euros na época da inauguração, em novembro de 2019.

Aproximadamente 300 alunos treinam no local, entre escolinha para formação técnica e equipes de rendimento. Antes da pandemia, este número superou a marca de 500 jovens, que sonham seguir os passos do garoto magrelo que enche Maneca de orgulho:

- Ele teve uma formação muito boa. Sempre foi muito inteligente para jogar, mesmo com nove, dez anos... Sempre foi curioso, questionava. Eu ensinava o toca e sai, que é uma movimentação do futsal, e ele queria saber o porquê de fazer saída para diagonal, para paralela... Sempre assimilou muito ao redor dele.

"A grande vantagem do salão é que o menino está com a bola o tempo todo, adquire uma técnica muito boa. Uma das explicações que eu tenho para a técnica refinada do Filipe está muito ligada ao futsal. É uma base muito interessante"


Filipe Luís veste a camisa 8, agachado, em um dos primeiros torneios no futsal - Reprodução

Base que Filipe colocou em prática domingo de manhã no Mané Garrincha e logo saltou aos olhos dos mentores. Em diálogo por aplicativo durante a partida, Moisés mandou para o amigo após o gol: "Profe, metade do lance foi de futsal". Maneca respondeu de maneira afirmativa:

- Aquele drible no espaço reduzido é a tônica do futsal. O drible tem que ser curto, sem esticar muito a bola. No campo, geralmente estica muito a bola. No futsal, é preciso ter mais virtudes, o espaço é menor e o marcador muitas vezes está andando mais para trás do que botando o pé na bola. O Filipe está bem desenvolvido na inteligência e na memória motora.

Tão desenvolvido que recebeu a benção de dois dos maiores jogadores de futsal de todos os tempos. Alerta para o Vasco, que terá Filipe Luís pela frente nesta quinta-feira, às 19h (de Brasília), no Maracanã, em clássico pela nona rodada da Taça Guanabara.


VIBRAÇÃO DE FALCÃO

Oito temporadas, todos os títulos possíveis e praticamente responsável por colocar Jaraguá do Sul no mapa esportivo brasileiro em destaque. Falcão é paulista, mas sem dúvida se tornou o maior embaixador da cidade catarinense.



Falcão elogia Filipe Luís e fala da importância do futsal no processo de formação de jogadores

ELOGIO DE MANOEL TOBIAS



Três vezes eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo de futsal, Manoel Tobias passou por Jaraguá do Sul nas temporadas 2001 e 2002. Filipe Luís, então com 16 anos, tinha acabado de migrar para o campo e dava os primeiros passos no Figueirense, mas não deixou de vibrar com a presença de um craque deste tamanho em sua cidade natal. Aposentado desde 2007, Tobias elogiou a jogada de futsal na Supercopa e explicou tecnicamente o lance.

Flamengo, Filipe Luís

1584 visitas - Fonte: Globo Esporte


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