6/9/2021 10:45

Papatinho revela bastidores de música com atacante do Flamengo

Papatinho revela bastidores de música com atacante do Flamengo

Gabigol, do Flamengo, e Papatinho — Foto: Pedro Martins

- (Incluir o bordão) foi ideia dele, cara. Apertei REC lá no microfone, ele já soltou: "aí, Papato, quando eu tô loiro, esquece" (risos).



Assim começou a carreira de Lil Gabi, nome artístico de Gabriel Barbosa, agora "trapper" com música recém-lançada e já estourada. Em uma semana, o hit "Sei lá", com produção do "beatmaker" Papatinho e parceria com Choji, já ganhou o público e não para de subir no ranking dos principais streamings do país.


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A reportagem do ge foi atrás da mente responsável pela aventura do jogador do Flamengo no universo musical.

- Passou de um milhão de visualizações (no YouTube) em três dias, entrou no top-200 das plataformas e "streamings" digitais. Foi um sucesso, podemos dizer que a estreia dele na música deu certo (risos) - comemorou Papatinho.

E o produtor abriu o jogo: o processo de criação, os bastidores no estúdio, a saga pelo pedido no Fantástico, a marra de cantor, a amizade fortalecida na Libertadores e até a possibilidade de outros nomes do time de Renato Gaúcho seguirem o mesmo caminho. Tudo isso numa resenha de 35 minutos repleta de risadas e, claro, música!

LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

ge:
Vou confessar que eu passei a semana inteira ouvindo a música, já me pegou. Como ela tá rodando? Já é sucesso?

Papatinho: A música está dando muito certo, a gente não esperava que ia ser esse sucesso todo. O Gabriel gosta de trap, ele se amarra. No tempo livre, quando tem uma folguinha, ele quer ir lá para o estúdio ouvir as músicas. E eu falei para ele, 'bora tentar gravar'. E ele já mandou, 'ih, eu fecho, hein?' (risos). Ele topou. Música lançada agora, vendo a repercussão toda, é muito maneiro, muito gratificante.

Muita gente quando viu que o Gabigol ia lançar uma música desconfiou, não botou muita fé...

- A maioria das pessoas quando recebeu a notícia que ele gravou uma música já chegou para a ouvir achando que ia ser ruim, é um jogador de futebol. O engraçado é que você lê os comentários no clipe e tá assim, 'entrei aqui achando que iria ser ruim, agora estou viciado na música, o que tá acontecendo? Não esperava por isso' (risos).

Ele já conhecer e acompanhar o gênero facilitou as coisas?

- Ele é um moleque que escuta bastante esse tipo de música, conhece, acompanha e gosta de ir para o estúdio. Ele trabalha bastante, é atleta, mas eu lembro que falou que tinha uma folga na fase de grupos da Libertadores numa quinta e quis ir ao estúdio ouvir as músicas. Num dia desses ficou escutando essa música ('Sei Lá') especificamente, antes mesmo de entrar na música, diversas vezes seguidas, até de madrugada. Se amarrou nessa.

- Brincando, eu falei, 'tu tem que entrar em uma, hein?'. Aí ele, 'eu fecho amarradão', já senti que ele ficou pilhado e queria entrar. Passou um tempo, deu esse estalo, precisava fazer uma parada com ele, colocar ele na música. E eu pensei, 'ele amou aquela música, por que não botar naquela mesma música?', que é a 'Sei Lá'. E foi assim, numa outra vez que teve brecha na agenda dele e na minha fomos para o estúdio, ele falou 'é meu sonho, entro amarradão'. Ele se amarra na parada, até manda lá, 'nasci pra isso' (risos), ouvindo um som atrás do outro.

Aí você apostou no projeto?

- Falei com ele, 'vamos tentar então'. Deixa que eu consigo, mal ou bem é meu trabalho, sou produtor, estou acostumado a fazer isso, gravar e direcionar o artista, até quem está começando do zero. Consigo tirar um resultado. Ele foi muito paciente e motivado. Ele estava tão amarradão que, primeiro, a gente passou a música diversas vezes no microfone de mão. Aí ele foi decorando, porque eu falei 'o segredo é tu decorar, porque quando decorar vai ficar mais solto'.

- No início ele estava meio inseguro. Depois que se soltou, e eu senti que ele estava preparado, a gente foi para a cabine de voz, que é onde a gente grava à vera mesmo, som rolando, e fui gravando aos poucos. Linha por linha a gente conseguiu chegar num resultado maneiro. Ele foi muito maneiro de querer que eu extraísse o máximo dele também. 'Tem que mudar alguma coisa, Papato? Tem que mudar?'. E eu também fui chato (risos), 'volta ali, faz de novo aquela terceira linha'. Quando ele entrava na cabine de voz e botava o fonezão assim, não queria mais sair de lá. 'Aqui é muito bom de ouvir música, ficar aqui' (risos).

Tava em casa (risos)...

- Ficou felizão, a gente gravou a voz, depois fomos para outra sala lá no estúdio escutar como ficou, maior vibe maneira. A gente escutou mais de 200 vezes a música com a versão dele, a galera cantando, ele cantando, fazendo dancinha e tudo mais. Fluiu, sabe? O vídeo saiu dali naturalmente, o clipe, das imagens que a gente gravou no dia.

A versão original dessa música é do Choji... Depois que vieram as partes específicas do Gabriel?

- A versão original não tinha o verso do Gabigol. Lil Gabi como artista, né (risos)? Não tinha, a gente escreveu com ele junto. No rap, normalmente, o próprio MC escreve o seu verso, é uma coisa da vida dele. Mas dá para fazer uma coisa da vida dele, que só ele pode falar. Só ele pode falar 'quando eu tô em campo', o Choji não pode falar. Algumas coisas são ajustadas para o artista, no caso para ele mesmo ali. Foi feito 100% para o Lil Gabi fazer.

E de onde surgiu a ideia de incluir o "quando eu tô loiro, esquece"?

- Foi ideia dele, cara. Apertei REC lá no microfone, ele já soltou: "aí, Papato, quando eu tô loiro, esquece" (risos). No final ele ainda queria colocar "aí, Mister Papato"... É o Mister, porque eu estava tipo técnico. Começou a me chamar de Mister, daquela brincadeira dele com o Jorge Jesus.


Dá pra ver só no jeito que você fala, nas risadas aí lembrando da gravação, que vocês se dão muito bem. Como nasceu essa amizade?

- Começou através do rap, do trap, que ele acompanha tudo. Ele começou a falar comigo por conta de música, e eu sou muito fã dele também por conta do Flamengo, dele como jogador. A gente viveu momentos muito maneiros, principalmente na Libertadores, em 2019, por acaso fui com o Gabriel O Pensador tocar na final. Fui para o gramado na cerimônia de abertura do jogo, a gente tocou, assistiu ao jogo, depois fomos para o gramado na comemoração, estava ali com eles. Para mim foi um pouco de ser jogador de futebol, um pouco da vida do atleta. E eu proporcionei para ele depois um pouco do ser artista do trap. Quando ele foi para o estúdio foi uma sensação parecida com a minha quando foi para o campo de futebol.

- Nesse mesmo dia da Libertadores, o Flamengo foi campeão da forma que todo mundo sabe, e eu fui para o hotel depois. Rolou música, ele estava lá comigo, eu até postei nas minhas redes sociais. Foi muito maneiro, a gente continuou se falando, ele se amarra em música. Foi naturalmente. Eu senti que ele queria fazer, que era um desafio, e eu me amarro em desafio também. Vamos tentar, temos nada a perder, tu já é o Gabigol, tem que provar nada para ninguém".

A semana de lançamento da música foi abençoada com o hat-trick do Gabigol contra o Santos, né?

- O lance dos três gols foi genial, cara (risos). Quando eu vi que ele fez três já pensei, 'tem que pedir a música, tem que pedir a música'. Ele ia pedir qual? Tinha que ser a dele, agora ele tem. Arrumei um jeito de entrar em contato no meio do jogo, cara, para falar que ele podia pedir a música, porque não estava lançada ainda, e a gente precisava desse estalo, de alguém para aprovar. Pede que eu dou um jeito de enviar e vai rolar.

E o que você fez?

- Foi assim, peguei o telefone do fotógrafo dele, o Pedro (Martins), só que ele não estava no campo, estava tirando foto de cima. 'Tenta ir lá falar com ele pra ele pedir a música, eu dou um jeito de mandar'. O Gabigol foi substituído no final, a gente tinha dez minutos para chegar até ele a mensagem. Parece que o Pedro conseguiu falar com alguém da CBF, da imprensa, que leva ele para a entrevista. E eu fiquei na ansiedade, sem saber, assistindo. Daqui a pouco ele é entrevistado... 'Qual música você vai pedir, Gabigol?'... 'Então, vou pedir uma música minha' (risos). Eu não acreditei, cara. 'Música minha que eu vou lançar, chama Sei Lá, com o Papatinho e o Choji'. Caraca, foi muito engraçado, muito maneiro, sabe? Tipo, inédito, o cara pediu a música dele.

- Meu telefone começou a tocar, várias ligações, mensagem de texto, 'libera a música, libera a música'. Entrei no Instagram, milhões de mensagens pedindo para liberar. Cara, foi perfeito, tudo que precisava para ter uma chamada para o som dele, para não lançar do nada, sabe? Agora ele está feliz com o resultado, eu também e continuo torcendo por ele, seja onde for, ele merece muito, é guerreiro, começou na luta e conquistou tudo. Não é à toa, assim como eu e outros artistas, não vem do nada. Muito legal curtir com ele, fazer um som, que motiva ele de certa forma".


Mas fala a verdade pra mim, Papato... O moleque é só carisma ou é mesmo bom no estúdio?

- (Risos) A parada é que no segmento trap o cara não precisa chegar lá fazendo aula de canto. Com os artifícios que a gente usa para produzir uma música de trap, usando a tecnologia do estúdio, qualquer pessoa pode cantar afinado, entendeu? É mais atitude, lifestyle e carisma do que qualquer outra coisa. Isso conta muito mais.

- Como ele é um cara de atitude, um cara que é polêmico, tem todo jeito de rapper, marrento do jeito dele... Ele combina com o estilo, não tem como falar que não. Tanto que os artistas de trap já querem fazer música com ele.

- Produzindo, estando junto, eu garanto que consigo fazer um negócio legal. Foi a primeira música, talvez se eu não estivesse lá ele não conseguisse, é normal, não é a profissão dele, mas é um começo. E ele pegando gosto, fazendo parcerias e jogando a bola que está jogando... Tem que aproveitar o momento. A música motiva o atleta, no vestiário eles estão sempre escutando. A música é uma terapia, ajuda na profissão.

É mais fácil Gabigol trapper ou Papato jogador?

- Pô, é melhor ele trapper, porque no estúdio eu consigo ali direcionar. Agora eu jogando futebol com ele ia ser difícil (risos). Até que eu joguei futebol de salão quando eu era menor, gosto de jogar uma pelada com a galera, mas vou precisar de um treinador me dando suporte. Ou meu time só com craque para eu me destacar. Mas aí, aceitaria o desafio de jogar uma partida com eles. Correr eu vou (risos).

Tirando o fato que você é a cara do Lucas Lima, já te falaram isso?

- Pior que falam mesmo, cara (risos). E não é só ele (Lucas Lima) não, falam outros jogadores também. O goleiro do Palmeiras (Weverton) falam que eu me pareço.

Pior que tem uma pegada Weverton também (risos)...

- Tá vendo? Cada hora eu pareço com um (risos).

Além do Gabigol, você tem relação próxima com mais algum jogador?

- Eu falo com o Pedro, recentemente até fiz uma campanha de lançamento da terceira camisa do Flamengo junto com ele, sessão de fotos. Ele até falou, 'nunca tinha tirado foto assim, tu deve ficar direto nessas sessões'. Estava o Matheuzinho também junto. O Everton Ribeiro eu conheço... Tive mais contato com o Gabigol por conta das coisas que ele curte, mas tive contato com diversos deles no dia da Libertadores. Fora tem o Marcelo, do Real Madrid, nas redes sociais, se amarra nas músicas. O Vini Jr. é parceiro, ouve pra caramba a gente, quer ir nos shows quando voltarem, ia antes quando estava no Flamengo.

Lil Gabi já tem... Será que vem por aí um Lil Pedro, um Lil Micha, um Lil Ribeiro?

- Imagina um Young Pedro (risos). Impossível não é, mas aí tem que ser o Lil Gabi que tem que convidar, o artista que tem que chamar, convidar um feat (risos). Está mais para o Gabigol, que é fã mesmo do gênero e acompanha, mas com certeza ele deve estar fazendo todo mundo escutar o som. Imagina como deve ter sido o vestiário agora no jogo?.

E a carreira do Lil Gabi? Começou e acabou ou vem mais música por aí?

- A gente vai fazer mais, cara. Foi maneiro para todo mundo, diversos artistas querem fazer música com ele. Você tem que ver, cara... 'Coé, bota eu numa aí com ele' (risos). Para ele é maneiro pra caramba, ele se amarra nos artistas do gênero, a galera está pedindo muito na internet.
- De repente no próximo hat-trick dele não sai a próxima música (risos)? Agora já deixa pronto, tudo pronto, faz três gols e pede. Até brinquei disso com ele, aí ele falou, 'eu fazer três gols é a parte mais fácil, a música que é mais difícil'. A parte dele já me falou que garante. Para mim a mais fácil é a música, então vamos que vamos.

Será que no próximo gol dele sai dancinha?

- Cara, tudo depende dele. Não sei se tu percebeu, no vídeo ele mesmo fez uma dancinha ali no 'sei lá', 'cash pro ar'. Imagina ele faz um gol e lança a dancinha? Aí vai ser estouro, não duvido nada.

É muito bacana a gente ver o seu trabalho, desde a época do ConeCrewDiretoria, até a carreira que você vem construindo solo. Quais são seus projetos agora para 2021 e também para o ano que vem, ainda no meio dessa pandemia que não acaba?

- Eu nunca consegui parar de trabalhar, eu gosto muito disso. Vou todo dia para o estúdio, todo dia faço música, todo dia chega um artista... Por isso que o Gabigol chegar lá é só mais um dia de estúdio, a gente faz mais uma música. Para mim não tem essa, problema nenhum.

- Agora tem bastante projeto rolando. Tenho minha carreira como produtor musical, produzo músicas para diversos artistas, desde Anitta até pop, trap. Tenho minha carreira como artista onde lanço minhas músicas com participações, que é meu projeto. Tem música rolando na rádio com Seu Jorge e Black Alien, chama 'Final de Semana'. Tem uma com o Péricles que já saiu, 'Traje de Verão'...

Essa é boa demais!

- Irada, né? Saiu agora uma com Orochi, L7NNON e Luccas Carlos, "A Culpa é do Papato", que é meu single mais recente. E vou continuar lançando esses singles. Além disso tudo tem o meu selo, que é a Papatunes, uma gravadora onde tenho artistas que trabalho junto e lanço projetos. Tem o L7NNON, artista do selo, que tá arrebentando tudo. Um dos fenômenos da internet.



- A pandemia deu uma travada, mas eu não parei de produzir música. A gente parou de fazer show, porque não pode mais sair, mas foquei na produção, consegui lançar mais de 100 músicas na pandemia produzidas por mim. Continuo trabalhando pra caramba, não tem aquela rotina de viajar para show, ir para um lugar e outro, mas o estúdio está a mil. Eu trabalho em qualquer lugar... Em casa, na rua com laptop, então graças a Deus consegui continuar, apesar de todo o problema da pandemia.


Só pra encerrar, queria dizer que eu sou um talento desperdiçado... Tinha tudo para ser trapper, mas faltou um Papatinho na minha trajetória (risos).

- (Risos) Faltou só isso, cara! Lil Igor, pô... Imagina só, Lil Gabi feat Lil Igor (risos). Ia ser maneiro.

Papatinho, revela, bastidores, música, atacante, Flamengo

1221 visitas - Fonte: globoesporte


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