O Flamengo de 2026 vive um paradoxo: enquanto tenta se organizar taticamente com a chegada de Leonardo Jardim, sua estrutura política balança. A leitura de jogo do presidente Bap aponta que José Boto perdeu a sustentação interna. O diretor, que em seu discurso de hoje reforçou que suas soluções "precisam ser aceitas pelo presidente", parece ter transferido a responsabilidade final das escolhas para a mandatário, o que gerou ainda mais desgaste. O clima entre Boto, jogadores e funcionários é de ruptura, com críticas abertas à falta de sensibilidade no trato humano durante o processo de saída de Filipe Luís.
Edu Gaspar e Fábio Luciano: A Nova "Engrenagem"
Diante do caos, o plano de reestruturação de Baptista ganha contornos de urgência:
Divisão de Poderes: A ideia é separar o futebol em dois pilares. Um executivo com "estofo" internacional para a parte administrativa e de mercado, e um nome com identificação rubro-negra para gerir o dia a dia do elenco.
Edu Gaspar: Em processo de saída da Europa, Edu é visto como o "sonho de consumo" para a diretoria técnica, trazendo o padrão de organização que implementou na CBF e no Arsenal.
Fábio Luciano: O ex-capitão é o favorito para assumir uma função de gerência de campo, atuando como o elo entre a comissão técnica e o vestiário, restaurando a sinergia e a intensidade emocional que o grupo parece ter perdido.
Momento Crítico e o Fator Jardim
A transição atual é vista como o "tudo ou nada" para a temporada:
Blindagem de Leonardo Jardim: O novo treinador corre o risco de ser engolido pela crise administrativa caso a diretoria não defina logo quem será o seu interlocutor oficial no departamento de futebol.
Performance Imediata: A performance no Campeonato Carioca e o início do Brasileirão servirão de termômetro. Resultados negativos acelerarão a saída de Boto antes mesmo da janela de julho.
Recuperação de Identidade: O foco da reestruturação é devolver ao Flamengo uma organização tática que não se limite ao campo, mas que permeie toda a cultura de trabalho do clube.
O Flamengo encerra a quinta-feira sob vigilância máxima. A permanência de José Boto é tratada como insustentável a longo prazo por importantes alas da diretoria. Se Bap confirmará os nomes de Edu Gaspar e Fábio Luciano nos próximos dias, o Rubro-Negro poderá iniciar uma nova era de profissionalismo. No entanto, o tempo urge: no domingo há uma final, e um clube dividido dificilmente consegue a intensidade necessária para ser campeão.
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