Nesta quinta-feira, a Libra, liga que reúne clubes da Séries A, B e C do Brasileirão, divulgou uma nota de repúdio a Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, que utilizou o termo "chita" para se referir a equipes brasileiras. O Flamengo foi o único clube da elite a não assinar o documento. Por qual motivo? Em nota enviada à imprensa, o Flamengo afirmou que luta contra qualquer forma de racismo, mas que entende que as relações institucionais com a Conmebol devem ser conduzidas pela CBF, visto que é a entidade que representa oficialmente os clubes brasileiros nos torneios sul-americanos. Além disso, o clube informou que irá incluir uma cláusula antirracista no estatuto (veja nota na íntegra abaixo). Os 16 clubes que assinaram a nota da Libra afirmam que a “gravíssima declaração de Domínguez traz à tona o evidente preconceito enraizado no ambiente do futebol, reforça estereótipos racistas, perpetua a desumanização de pessoas negras, além de demonstrar total insensibilidade em relação a temas de extrema urgência, como o combate ao racismo e a promoção da diversidade no futebol”.
Na segunda-feira, antes do sorteio dos grupos da Conmebol Libertadores, ao ser perguntado sobre o risco de um boicote dos clubes brasileiros ao torneio por causa dos reincidentes casos de racismo, Alejando Domínguez afirmou que a competição sem as equipes do Brasil é como “Tarzan sem Chita”. No dia seguinte, o cartola se desculpou em um post numa de suas redes sociais. Vale destacar que Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, esteve presente no Paraguai para o sorteio da Libertadores e acompanhou de perto o discurso feito por Domínguez sobre o racismo. Na ocasião, ele afirmou acreditar que os clubes não devem ser punidos por atos racistas de torcedores e disse entender os desafios da Conmebol para combater o preconceito no continente. — Achei o discurso adequado e ponderado. É sempre importante lembrar que, em que pese o racismo ser algo odioso e que no Brasil é crime, nos outros 10 países da Conmebol não é. Eu entendo o desafio da Conmebol de lidar com 10 governos que não têm a visão que o brasileiro teve. Ele colocou muito bem que é um aspecto cultural. Para nós no Brasil é crime e para eles não — analisou e completou: — Sobre as penalidades, é sempre importante pensar o quanto você deve punir um clube pela atitude de uma ou outra pessoa que faz parte da sociedade e está ali no estádio. É uma situação bastante delicada. Tem de haver o repúdio e o combate, mas a coisa da punição... você se prepara o ano inteiro, disputa um campeonato inteiro. Chega lá e porque uma pessoa é racista pune seu clube e você cai de uma Libertadores? É uma coisa delicada. Há de se discutir o tamanho da punição porque punir o clube é complicado — concluiu.
O Flamengo luta contra qualquer forma de racismo e discriminação há muito tempo e reafirma seu compromisso no combate estrutural ao racismo no futebol e na sociedade. No entanto, entendemos que as relações institucionais com a Conmebol devam ser conduzidas pela CBF, entidade que representa oficialmente os clubes brasileiros nos torneios sul-americanos. No Flamengo , o combate ao racismo vai muito além do discurso. Além do manual interno de Combate ao Racismo, finalizamos os ajustes jurídicos para incluir em nosso estatuto uma cláusula antirracismo. O Flamengo tem plena consciência de sua enorme responsabilidade social e busca, todos os dias, ações estruturais que tragam impacto positivo real para o futebol e para a sociedade. ??? Leia mais notícias do Flamengo Assista: tudo sobre o Flamengo no ge, na Globo e no sportv
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